Apólogo da Máscara

Imagem: Reprodução/Internet
No pequeno hospital municipal da cidade de Fortaleza, existia uma máscara muito vaidosa e muito arrogante. Em uma certa manhã, um algodão lhe disse:

- Você sabe o que todo mundo está comentando?
- Do que você está falando?
- Da doença que começou a se espalhar pelo país!
- Que doença?
- Não sei ao certo, mas acho que é a gripe suína.
- Uma gripe de porco? Eu odeio animais. Espero que este hospital não atenda casos desse tipo. Eu sou uma máscara, sou usada para cirurgias, nunca terei contato com casos desse tipo de periferia.
- Calma.
- Lugar de porco é no chiqueiro e quem estiver com essa tal gripe que vá procurar outro lugar.

Uma enfermeira entra na sala, pega a máscara e a leva para a recepção. A coitada da máscara começou a gritar, desesperadamente, quando ficou sabendo para o que seria usada. A máscara teria a importante função de proteger os seres humanos do vírus da gripe suína. O algodão, vendo o sofrimento da máscara, disse:

- Não devemos criticar algo que não conhecemos, pode ser que o destino nos aproxime de algo que hoje nós rejeitamos.

Texto publicado no Recanto das Letras