Entrevista com o jornalista Julião Júnior

Arquivo Pessoal
Julião Júnior é repórter do núcleo de reportagens especiais da TV Jangadeiro. O jornalista concedeu uma entrevista com o intuito de explicar um pouco a rotina do profissional do telejornalismo a partir de sua experiência de sete anos na emissora. 

Como é sua rotina de trabalho no telejornal, o que você faz?
Sou repórter do núcleo de reportagens especiais. Nos plantões também edito e apresento o telejornal da emissora.

Qual é o seu horário de trabalho? Você o ultrapassa?
14h às 20h. Como minha atual função exige reportagens mais elaboradas e muitas viagens, geralmente ultrapasso o horário.

Quais as suas principais atribuições e responsabilidades?
Minha função tem por objetivo aprofundar, em séries especiais, temáticas definidas junto à direção de jornalismo, de grande interesse dos cearenses. A próxima que irá ao ar será sobre desertificação, produzida nos municípios de Irauçuba/CE, Jaguaribe/CE e Cabrobó/PE. Também é minha a responsabilidade de conquistar prêmios de jornalismo à emissora.

Como você coloca em prática os conteúdos que você viu em sua formação acadêmica?
Costumo dizer que a prática é uma segunda faculdade. Mas a formação acadêmica é de fundamental importância para ampliar seu horizonte crítico. Só com o estudo e a leitura você tem capacidade de se aprofundar em temáticas e dar ao telespectador a possibilidade de assistir uma reportagem de bom conteúdo, que acrescente algo à vida dele.

Quais as maiores dificuldades do seu trabalho?
Conseguir passar em um curto espaço de tempo toda a riqueza dos conteúdos que me proponho a expor nas reportagens... A cada local que você visita, a cada entrevistado que você conversa, a vontade é de criar uma reportagem de varias horas... Mas a gente tem que estar ciente que nosso espaço de trabalho tem que ficar restrito a, no máximo, 3 minutos (em reportagens especiais).

O que é mais encantador em seu trabalho?
Conhecer uma nova realidade a cada dia... Além disso, passar por uma multiplicidade de experiências impossíveis de viver se não fosse por minha profissão. Mas acho que o que mais encanta são as conversas em OFF com os entrevistados, principalmente o povo simples do interior... Com eles eu procuro aprender e levar muitos ensinamentos para a minha vida.

Como é a sua relação com a sua equipe de trabalho no jornal?
É preciso enxergar um telejornal como uma grande engrenagem... As peças sozinhas não chegam a lugar nenhum, mas juntas, são capazes de realizar grandes trabalhos.  Por isso procuro ter uma relação de companheirismo, amizade e, principalmente, confiança no trabalho do outro.

Existe alguém, em seu ambiente de trabalho, a quem você é muito grato?
Acho que um repórter de TV deve ser eternamente grato a seus cinegrafistas. O trabalho de um depende diretamente do outro. Fico muito feliz por terem passado muitos nomes bons no meu dia a dia.

O que acontece antes e depois do telejornal? Como você se prepara?
A melhor preparação do repórter é a informação. Você tem que estar antenado com todos os assuntos que permeiam seu município, estado, país, continente, planeta... Porque nesse mundo globalizado tudo influencia tudo e você precisa saber fazer ligações de diversos conhecimentos para dar o telespectador um trabalho de maior qualidade e confiabilidade.

O que você mudaria no seu trabalho para torná-lo melhor?
Criaria "pílulas de estímulo" para aqueles profissionais da equipe que poderiam dar mais ao trabalho... Uma engrenagem fora de ritmo prejudica bastante.

Como é tratada a questão ética em relação aos temas polêmicos?
Por mais polêmico que seja o assunto existe algo que nunca pode ser deixado de lado e que, para mim, é a melhor alternativa de se livrar das saias justas, que é dar espaço às diversas vertentes que cada assunto carrega consigo. Dessa forma, quem vai "julgar" a polêmica é o telespectador, com a base de conhecimento dada pelo nosso trabalho. Daí a importância de ter zelo, cuidado e carinho por cada reportagem.

Qual matéria mais marcou você em sua carreira? Por quê?
Na verdade foi um conjunto delas. O que mais me marcou foi minha primeira série especial, que teve como temática a cultura de paz. Foi um trabalho despretensioso que cresceu e se tornou um marco em minha carreira... Foi a partir daí que recebi o convite de criar um núcleo de reportagens especiais.

Como você avalia o telejornalismo cearense?
Acho que temos nomes muito bons... Pessoas que trabalham com seriedade e que contribuem com a vida de cada cidadão. A imprensa cearense exerce bem seu papel. Mas lógico que, como em tudo, tem suas falhas, momentos negativos, pessoas que não se adéquam tanto. O bom profissional não chega a esse ponto com anos de trabalho... Na verdade ele já pode ser reconhecido nos bancos da faculdade. Por isso não percam a oportunidade de fazer um estágio, de realizar cada exercício prático em suas disciplinas. Não se enganem, os olhos do mercado já estão em vocês.

Gostaria de acrescentar algo para melhor entendermos a rotina do profissional do telejornalismo?
Amem a profissão que vocês escolheram, se dediquem ao máximo. Porque as dificuldades são grandes, não só na rotina de trabalho, como no nível salarial, na luta para conquistar uma vaga no mercado. Mas se vocês fizerem isso com amor, tudo vai fluir mais fácil e vocês serão muito felizes!

Veja a seguir a matéria especial que o jornalista comentou na entrevista.