A alegria do carnaval não acaba na quarta-feira de cinzas

Foto: Comunidade Católica Shalom
Quando se fala de carnaval, alguns lembram logo de alegria, de carros alegóricos, de trios elétricos, de folia. Outros lembram também de alegria, mas a relacionam com calmaria e descanso, pois para estes o carnaval é tempo de repouso. No entanto, há um povo que renasce no carnaval e para este a alegria tem uma sentido diferente, pois ela não acaba na quarta-feira de cinzas. 

Carnaval é também, para muitos, sinônimo de liberdade. É a festa do “tudo me é permitido”. No entanto, para os cristãos, esta afirmação tem um complemento fundamental: “mas nem tudo me convém”. Alegria e liberdade andam juntas, pois é alegre quem é livre. Já falamos da alegria no parágrafo anterior, mas creio que a alegria de correr atrás do trio ou de passar os dias descansando, não consegue contemplar a alegria diferente do povo que renasce no carnaval. A alegria é fruto da plena liberdade que gozam os filhos de Deus.

No entanto, algumas pessoas, tendo o pensamento no conceito de liberdade em que tudo é permitido, colocam uma fantasia, usam uma máscara, ou mesmo, não usam nada, sentem-se livres para expor o próprio corpo. Digo que estes vivem uma alegria superficial e explico o porquê: o conceito de liberdade plena conturbado os leva a querer mostrar para os outros que tudo podem fazer, sem, no entanto, esta permissividade ser sinônimo da verdadeira liberdade. A liberdade plena é fruto da misericórdia de Deus. Aqueles que experimentam da misericórdia de Deus sentem-se plenamente livres e consequentemente muito alegres a ponto de contagiar a todos a seu redor. Há mais alegria na misericórdia de Deus que proporciona a liberdade interior. 

Concordo em dizer que o carnaval é a festa da alegria e da liberdade, pois nos prepara para um tempo de autoconhecimento. Conhecendo a mim mesmo sou capaz de verdadeiramente entender o que realmente me faz feliz. A alegria que outrora falei do povo renascido, dos cristãos, não termina na quarta-feira de cinzas, na verdade, podemos dizer que ela começa, pois se inicia o tempo de quaresma, tempo de viver a liberdade plena e interior. Vale lembrar que é na quarta-feira de cinzas que a alegria daqueles que vivem a liberdade superficial e mascarada de “tudo me é permitido” acaba.