The Flash: Família, Destino, Amizade e Amor

Não sou do tipo que deixa de sair para ver filmes ou séries sozinho em casa. No meu caso, procuro assistir séries e filmes no tempo livre, nas férias. Bom, hoje conclui a primeira temporada de The Flash e quero tecer alguns comentários acerca do que percebi. Se você é do tipo que não gosta de spoiler, cuidado. Não sou nenhum especialista em séries e nem muito menos em super heróis, sou apenas um cara que gostou do que viu e quer partilhar um pouco.


Imagem da Internet

#MomentoWikipédia: The Flash é uma série de televisão americana criada por Greg Berlanti, Andrew Kreisberg e Geoff Johns, transmitida pela The CW desde 7 de outubro de 2014. A série é baseada no personagem Flash da DC Comics.

O drama de Barry Allen (Grant Gustin), o jovem Flash, gira em torno de duas questões fundamentais bem complicadas. A primeira diz respeito a sua mãe que foi assassinada ainda quando ele era criança. A segunda, conseqüência da primeira, remete ao fato do pai ter sido acusado pelo crime. Barry passa a ter como objetivo de vida descobrir quem realmente matou sua mãe e com isso libertar seu pai da cadeia. Aqui está o primeiro ponto em que gostaria de tocar. O enredo me chamou atenção por conta do valor família ser a cada episódio reafirmado. Penso que esse é um dos pontos fortes da série. Os realizadores tiveram uma ótima sacada ao colocar tal meta para o herói. É nítido o amor que o jovem sente pelos seus pais.

Barry, depois que sua mãe morre e seu pai é preso, passa a morar com Joe West (Jesse L. Martin), policial que o adotou. Barry dá um novo sentido para a vida de Joe que perdeu sua esposa e vive somente com a filha, Iris West (Candice Patton). É interessante perceber que nessa situação o valor família é retomado. Barry não despreza o fato de ter crescido sendo educado por Joe, ele é grato por isso. Ainda que a presença da mãe tenha feito falta tanto para ele quanto para a irmã adotiva, os valores base de uma família lhes foram passados. Talvez ser herói nos dias de hoje signifique constituir uma família e fazer que nela o amor e a gratidão cresçam em cada membro.

O último episódio da temporada coloca Barry em um grande dilema: reconstruir sua família, salvando sua mãe e livrando seu pai da cadeia, ou permanecer com Joe West, seu pai adotivo, e Iris, irmã adotiva pela qual é apaixonado. A situação é complicada. O pai biológico de Barry explica que a lei natural não pode ser alterada, ou seja, o que aconteceu no passado não pode ser mudado. Ainda que Flash tenha poderes para mudar a realidade há um desígnio específico para cada ser humano, inclusive para ele. Na série chamam de coincidência, mas, certa vez, escutei alguém chamar de deuscidência os acontecimentos marcantes que se dão a cada dia em nossas vidas.

Tantas vezes nós queremos mudar algo que vivemos, algo que marcou nossa história de forma negativa e que não gostaríamos nem de lembrar. O remédio não é apagar o fato, mas olhar para ele com um novo olhar. Esse olhar, acreditem, não temos a capacidade de ter sozinhos, precisamos, necessitamos, de um olhar espiritual. Há um santo que diz que o passado pertence à misericórdia divina e o futuro à providência divina. O presente é o tempo que temos para viver, aprendendo a perceber, a vontade de Deus escondida em cada acontecimento.  A série traz essa mensagem, pois, ainda que pudesse salvar sua mãe, Barry submete os seus desejos e seus interesses ao “destino” – trazendo para nossa realidade, vontade de Deus.

Para além dessas, outras questões me chamaram atenção. Por exemplo, o relógio de Barry parado. Como pode um cara que anda super rápido usar um relógio parado?! Fica a dica, produção. A seqüência dos episódios foi bem bolada. No início, achei confuso, mas quando paramos e observamos tudo vemos um enredo complexo sendo montado como um quebra-cabeça. 

Não posso deixar de reconhecer que a série tem um estilo teen, adolescente, com um romance romântico. O amigo apaixonado que não tem coragem de se declarar. Sobre isso gostaria de dizer que antes de qualquer relacionamento de namoro deve sim existir uma amizade, de preferência sólida. O amor não é construído sobre um terreno de areia, mas sim sobre atitudes concretas. Segundo a série, esse argumento tem fundamento, pois a amizade de Barry e Iris culmina em um namoro.

Por fim, recomendo essa série para quem gosta de história de heróis e vilões. Barry Allen, segundo a Teoria do Desenvolvimento Moral de Edgar Morrin, está em um nível de moralidade pós-convencional, pois, sendo policial e super herói, hierarquiza a lei em vista de ajudar outras pessoas.