Jennifer | Cap. 2 - Experiência Marcante


Com cabelos pretos como a noite e pele de morena tropicana, Jennifer atraia olhares por onde passava. O batom vermelho era sua marca registrada. A jovem não perdia a oportunidade de fazer uma boa confusão, um bom barraco. Na faculdade, um grupo de meninas tentou excluí-la de um trabalho em grupo ainda no primeiro semestre do curso de Serviço Social. Isto porque as garotas descobriram que ela morava na Caridade (bairro marcado pelo estereótipo da violência). Jennifer percebeu o que elas estavam tentando fazer.

- Eu já entendi porque vocês não me querem no grupo. Se vocês pensam que só porque eu moro na Caridade eu sou como o povo de lá, vocês estão certíssimas. Sou sim da periferia. E tem mais: eu que não quero me misturar com vocês. Bando de vida boa. Lá onde eu moro, para conquistar as coisas, tem que acordar cedo, tem que suar a camisa. E eu não tenho vergonha disso. Aposto que nenhuma de vocês sabe fazer algo que preste. Nem que eu entregue atrasado, eu prefiro ficar sozinha. Pode deixar que eu me resolvo com a professora.

Jennifer fez sozinha o trabalho. Não tirou nota melhor do que as meninas que a excluíram, mas para ela foi questão de honra entregar tudo sem a ajuda de ninguém. Jennifer era dessas orgulhosas que nem mesmo um tsunami poderia mudar a opinião dela. Não tinha muitos amigos na faculdade. Conversava mais com os professores. Não ligava para o que ouvia dizer a seu respeito e nem mesmo para os comentários dos meninos sobre sua beleza. Ela não dava bola e pronto. Jennifer tinha outros objetivos. Ela gostava mesmo era de sair nos finais de semanas. Não perdia uma só festa.

A última vez que viu Demétrio foi quando estava na parada de o ônibus. Os dois conversaram brevemente, pois ambos estavam apressados. Jennifer tinha sido convidada por uma amiga para um encontro de final de semana e Demétrio estava correndo para uma aula da faculdade. Jennifer estava no quarto semestre de Serviço Social e Demétrio no segundo de Engenharia Civil. O encontro foi de poucas palavras, mas de muitos olhares de saudades e de sorrisos cheios de boas lembranças. Os dois começaram o Ensino Médio juntos no Colégio Nossa Senhora de Fátima. Eram da mesma sala, mas não se falavam muito até que Demétrio descobriu que Jennifer era fã de Flash. A série foi o start para que a amizade deles começasse e crescesse.

Jennifer estava ansiosa e animada para participar do encontro de final de semana. Foi Hellen, sua colega de trabalho, quem a chamou para o Seminário de Vida no bairro da Ressurreição. O local era próximo de sua casa, mas precisava tomar um ônibus para chegar no horário. A jovem não gostava muito de grupos e nem de Igreja, mas o entusiasmo de Hellen a convenceu. Dentro de si, Jennifer pensava em ir para o encontro para agradecer pelo emprego que conseguira. Ela não conseguia entender a animação que estava sentido, parecia até mesmo maior do que a das vezes de quando ela saia para as festas com Luana e Paola, também amigas de trabalho. Jennifer reconhecia que necessitava de algo diferente. Ela não sabia o que era, mas desejava algo novo. Mil coisas passavam por sua cabeça.

Sorrisos e abraços acolheram Jennifer ainda na porta do local em que iria acontecer o Seminário de Vida no Espírito Santo. Sim, era de fato um encontro de Igreja. Jennifer ficou confusa, mas decidiu entrar para procurar sua amiga. Hellen já estava acomodada guardando uma cadeira para a colega.

- Jennifer, vem pra cá! Eu guardei o teu lugar.

Jennifer, ainda constrangida, dirigiu-se até a amiga, buscando reconhecer o lugar. O movimento das pessoas, a decoração do ambiente e a atmosfera do local conquistaram sua atenção. Jennifer participou das palestras e assistiu aos momentos de apresentação artística. Ela não esperava que fosse ter um momento de oração. A jovem decidiu deixar-se conduzir. Não foi fácil, pois dentro dela ainda havia resistências. Jennifer trilou o caminho do Seminário de Vida desde o começo da manhã de sábado até o final da tarde de domingo. Sim, no dia seguinte, Jennifer resolveu ir novamente ao encontro. Ela não entendia bem o que estava acontecendo, mas era movida pela curiosidade. Ela queria saber o que iria acontecer a cada momento. Diferente de todas as palestras que já tinha participado, o encontro não a deixou entediada. Era algo realmente animado. Olhava ao seu redor e encontrava jovens que transbordavam paz e alegria.

- O Seminário de Vida no Espírito Santo foi uma experiência que me marcou profundamente. Para mim foi realmente uma explosão de alegria. Eu confesso que cheguei fechada, não queria participar, mas aos poucos fui percebendo o quanto estar ali me fazia feliz. Decidi deixar-me conduzir pelas motivações que estavam sendo feitas. Eu dancei, eu cantei, eu pulei, eu rezei. Eu nunca imaginei que um dia fosse dedicar um momento para rezar. Descobri nesse encontro que Deus é a alegria que não passa e que todos podem experimentá-la, basta deixar-se alcançar. Deus sabe da minha história, Ele sabe de tudo o que fiz e, mesmo assim, Ele não me condena. O que ficou forte para mim foi quando um palestrante disse que Deus não se cansa de perdoar. Eu acredito realmente que Deus não se cansa de perdoar. Ele me perdoou. Ele me amou. Depois que fiz o Seminário de Vida, convidaram-me para participar de um grupo de oração. Hoje faço parte do grupo Vaso de Argila, participo da Santa Missa aos domingos, rezo o Santo Terço e busco cada vez mais renovar a experiência que vivi naqueles dias do meu Seminário de Vida. Em Deus, despertei para ser quem realmente eu fui criada para ser.

Depois te ter encontrado Demétrio na praça, Jennifer, em casa, fez memória de tudo o que ele havia falado. A jovem ficou muito questionada sobre a sua coerência de vida. Reencontrar o antigo amigo de escola foi uma experiência nova e desafiante, pois era como encontrar o passado. Jennifer foi percebendo que Demétrio tinha falado tudo aquilo porque ele ainda não tinha tido a experiência que ela teve. Então, decida a convidá-lo para participar de um Seminário de Vida, Jennifer resolveu ligar para Demétrio, mesmo temendo que, além de não aceitar, ele voltasse a criticá-la. Depois de uma mensagem e duas tentativas de ligação, Demétrio atendeu ao telefonema de Jennifer.

- Alô, Demétrio?